GUIA DE FAUNA DA TAPADA DA AJUDA

Todos os posts relativos ao meu livro GUIA DE FAUNA DA TAPADA DA AJUDA! Desde "Como Comprar", a todas as notícias e entrevistas que sairam relativamente ao guia. Se necessitar de mais informações basta entrar em contacto através do e-mail onwild@dophotography.net. Muito obrigado a todos.

MINI-ARTIGOS SOBRE AS ESPÉCIES

Nesta secção encontram-se mini-artigos sobre as espécies, de forma sucinta e clara, ficamos a conhecer um pouco mais sobre a nossa fauna. Ilustrados com as melhores fotografias da espécie.

AS MINHAS MISSÕES

Ao contrário dos artigos, nas missão explico como consegui fotografar as espécies (ou observar). O que sofri e as peripécias para as conseguir fotografar tranquilamente e sem as perturbar.

TRUQUES E DICAS

Nesta secção poderá encontrar alguns truques e dicas sobre fotografia de vida selvagem e de natureza, desde as técnicas utilizadas na máquina como algumas das técnicas utilizadas no terreno.

ABRIGOS

Para além dos vários truques, existem também alguns abrigos já montados que podemos frequentar em Portugal e outros tantos em Espanha. Serão apenas colocados abrigos que tenha frequentado.

UM MÊS...UMA AVE

A Fundação Calouste Gulbenkian com o apoio científico da Fundação Luis de Molina e da Universidade de Évora apresenta nos jardins da fundação em Lisboa o projeto "UM MÊS...UMA AVE". Todos os meses foi apresentada uma espécie presente nos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian. A lista de espécies do primeiro ano está terminada.

Canal Youtube onWILD

Novo canal no youtube destinado apenas a filmagens de vida selvagem. Subscrevam.

Definições Canon 7D Mark II

As definições que utilizo na minha máquina para a fotografia de aves.

sexta-feira, 1 de março de 2013

A Ave do Mês de Março: Melro-preto

http://www.flickr.com/photos/the_rock_7/sets/72157626701277479/with/9563476432/

A ave do mês de Março nos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian foi o melro-preto (Turdus merula). Este passeriforme procura minhocas e outros invertebrados revirando a folhagem morta por entre a vegetação e também nos relvados dos jardins Gulbenkian. Por vezes ocorrem lutas pelos melhores locais de alimentação. Ou pelos melhores locais para beberem água. Por sobreviverem em plena cidade, estão acostumados às pessoas. Levando a sua vida tranquilamente ao lado de toalhas de praia ou de piquenique.


http://www.flickr.com/photos/the_rock_7/sets/72157626701277479/with/9563476432/

http://www.flickr.com/photos/the_rock_7/sets/72157626701277479/with/9563476432/

http://www.flickr.com/photos/the_rock_7/sets/72157626701277479/with/9563476432/
 
http://www.flickr.com/photos/the_rock_7/sets/72157626701277479/with/9563476432/
Juvenil de 2014.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Artigo: Abutre-preto



EXIF F/6.3 1/320 ISO-1600
500mm   25.7m

O abutre-preto (Aegypius monachus) é uma espécie mundialmente quase ameaçada (NT), no entanto, em Portugal o seu estatuto de conservação é criticamente em perigo (CR). Atualmente decorre um projeto LIFE Habitat Lince-Abutre que visa protegê-lo e ao seu habitat.


EXIF F/6.3 1/200 ISO-1000
500mm   25.7m

Este abutre do velho mundo é a maior ave de rapina da Península Ibérica, e uma das maiores da Europa. Nidifica na região mediterrânica, principalmente na Península Ibérica, Sul de França e outras regiões mais a sul (como a Grécia). A sua população reprodutora Europeia encontra-se estimada entre os 1450 e os 1477 casais, no entanto mais de 90% dos pares reprodutores, cerca de 1340, localizam-se na vizinha Espanha.

EXIF   F/6.3   1/200   ISO-1000
500mm   32.8m

Prefere habitar regiões rochosas e com grandes declives, usualmente florestadas com pinheiros ou carvalhos, e onde as correntes de ar ascendentes criadas pelos ingremes montes facilitam a descolagem. Os montados são os locais de eleição para a alimentação, este complexo sistema agro-pastoril, onde o número medio de árvores por hectare é de apenas 50 e o principal uso do solo é o pastoreio de gado, revelou-se um excelente habitat para os abutres-pretos procuraram carcaças de animais (mortos).


EXIF F/6.3 1/400 ISO-1600
500mm 32.8m

A dieta deste magnífico e imponente necrófago consiste em carcaças de animais de pequeno e médio porte. O coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus) é o elemento chave da sua alimentação e as recentes diminuições das populações de coelho-bravo levaram à diminuição dos recursos alimentares. O aumento das áreas de criação de gado e o aumento das regiões e herdades destinadas à caça grossa (montarias), contribuem para a diminuição das fontes de alimento para esta espécie, que ao contrário do mais abundante grifo, prefere pedaços mais pequenos para se alimentar. As alterações nas políticas agrícolas comuns (CAP) e nas regras de segurança alimentar também originaram uma diminuição dos recursos alimentares, pois o gado que morre por causas naturais é recolhido pelos proprietários.

EXIF   F/9   1/1000s   ISO-320
500mm   63.3m

Este necrófago consegue procurar alimento por grandes superfícies e chega a percorrer enormes distâncias, devido à sua grande envergadura (asas grandes) e tamanho, possui uma grande facilidade em aproveitar as correntes de ar naturais. Os seus requerimentos energéticos e a imprevisibilidade espácio-temporal dos seus recursos naturais obriga-o a percorrer enormes distâncias para encontrar alimento. O tempo percorrido à procura de alimento depende da quantidade de luz disponível e das condições climáticas. Na primavera eles dispõem de mais tempo de voo (cerca de 11 horas), no entanto, no inverno esse tempo é drasticamente reduzido (apenas 7 horas), obrigando-os a levantar voo mais cedo e perto do crepúsculo, para maximizar o seu voo. Os dias chuvosos impedem o seu voo na maioria dos dias de inverno.


EXIF F/6.3 1/160 ISO-1000
500mm 32.8m

A criação de comedouros, autênticos restaurantes para aves necrófagas (tal como o grifo e o abutre-preto) podem ser uma solução, no entanto, a solução perfeita será conservar o seu habitat de alimentação, o montado. No entanto, o montado tem vindo a desaparecer. Este habitat semelhante a uma savana tem vindo a ser sucessivamente substituído por monoculturas, tem sido abandonado, sofrido sobre pastoreio e nalguns casos foi convertido em culturas irrigadas. Os seus locais de nidificação estão usualmente localizados perto dos montados.

EXIF F/6.3 1/200 ISO-1000
500mm 32.8m

O abutre-preto nidifica em árvores de grande diâmetro, baixas e com poucas árvores em redor, em zonas do terreno ingremes e a grandes distancias das estradas de acesso. Os ovos são colocados entre Fevereiro e Março, e a (s) cria (s) permanece (m) no ninho durante mais de 110 dias. Mas a impredictabilidade na obtenção de alimentos envolve grandes investimentos parentais. No entanto, os indivíduos em nidificação encontram-se obrigados a regressar todos os dias aos seus ninhos (ou colonia) e possuem um comportamento de forrageadores mais centralizado.


EXIF F/6.3 1/200 ISO-1000
500mm 32.8m

 A sua escolha do local de alimentação é um conjunto de fatores entre os habitats disponíveis e a distância aos mesmos. Para o conservar há que preservar árvores velhas e antigas. Há que manter as zonas de nidificação como um santuário de abutres e sob proteção especial, e manter outros locais de possível nidificação mas ainda não utilizados, com poucos distúrbios e sem o corte de árvores, tal como avaliar possíveis alterações no habitat e o seu impacte no abutre-preto.


EXIF F/6.3 1/160 ISO-1000
500mm 32.8m

 Os motivos do seu desaparecimento encontram-se associados à perda do habitat, à diminuição dos recursos alimentares disponíveis devido a alterações nas práticas agrícolas e pastoris. A última e principal causa de mortalidade e desaparecimento do abutre-preto é o envenenamento.

EXIF F/6.3 1/200 ISO-1000
500mm 32.8m


sábado, 5 de janeiro de 2013

Missão: Abutre-preto


EXIF F/9 1/500 ISO-320
500mm 63.3m

O abutre-preto, Aegypius monachus, é uma das maiores aves de rapina da Europa, no entanto, é também uma das espécies mais ameaçada. A sua pouca tolerância para a presença humana, faz desta espécie uma das mais difíceis de fotografar. Era uma espécie que há muito gostaria de fotografar, mas que normalmente apenas a vejo a voar à distância. Foi com enorme satisfação que finalmente consegui fotografá-lo, no entanto, e como biólogo anseio sempre pelo nosso próximo encontro.
Para mais informações sobre o ABUTRE-PRETO ler o artigo que escrevi sobre esta espécie.
 

EXIF F/6.3   1/200   ISO-1000
500mm   32.8m


sábado, 17 de novembro de 2012

Artigo: Mocho-galego


EXIF  F/8  1/160  ISO-400
500mm  10m

O mocho-galego (Athene noctua) é uma pequena ave de rapina da família Strigiformes. Habita planícies e colinas não habitadas pelo ser humano, mas também áreas agro-pastoris, prados e até pequenos estabelecimentos rurais (de pequena dimensão, como herdades na zona do Alentejo). Esta espécie cosmopolita encontra-se distribuída por toda a Eurásia, no norte e este de África, na Arábia, no sul do Irão, no norte da China, entre outros.

EXIF  F/11  1/400  ISO-320
500mm  25.7m

Os mochos-galegos encontram-se ativos tanto durante o dia como durante a noite, no entanto, eles caçam sobretudo no crepúsculo e durante a noite. No verão também se alimenta durante o dia, especialmente em zonas abertas. São aves de rapina generalistas, não existindo nenhuma presa especifica em que se tenham especializado. Durante a época de reprodução, o mocho-galego alimenta-se maioritariamente de invertebrados (escaravelhos e gafanhotos), sendo o resto da sua dieta constituída por mamíferos (roedores), répteis e algumas aves (de pequeno porte). No entanto, são os mamíferos que lhes fornecem a maior quantidade de biomassa, e os invertebrados os que são consumidos em maior quantidade (cerca de 8/10) representam uma pequeníssima porção da biomassa consumida (1/10).
 

EXIF  F/8  1/250  ISO-500
500mm  7.9m Flash

O mocho-galego é uma espécie territorial, expulsando os competidores através da combinação de chamamentos, ameaças e ataques. Ao controlarem um território beneficiam do acesso exclusivo a recursos como a alimentação, parceiros e locais de nidificação. Para manter estes territórios existem variados custos individuais, como a perda de tempo, custos energéticos necessários para sinalizar, patrulhar o território e perseguir outros competidores. Mas também há um aumento dos riscos de predação e de morte, por vezes a ave pode ficar com ferimentos quando o combate é desenlace de encontros com outros competidores.
 

EXIF  F/8  1/1000 ISO-500
500mm  25.7m

Existem vários fatores de mortalidades não naturais, a principal e mais estudada, é a mortalidade por atropelamento (trafego automóvel), no entanto, a caça também constitui um importante fator de mortalidade. A captura ou remoção de crias dos ninhos é também uma prática ilegal (e em expansão). Tanto para a caça, como para a captura, os valores podem estar subestimados, isto porque é mais simples descobrir indivíduos mortos nas estradas do que descobrir estas práticas ilegais.
 

EXIF  F/8  1/250  ISO-400
500mm  10m  Flash

Uma outra causa de mortalidade é a contaminação com substâncias toxicas. Existem vários casos de mochos-galegos com elevadas concentrações de metais pesados, sugerindo a possibilidade de exposição cronica. Os metais pesados mais comuns são o chumbo, o crómio e o cadmio. Estes metais pesados de uso industrial e baixa reatividade química são responsáveis pela maioria das contaminações ambientais e são também responsáveis por fenómenos de bioampliação porque podem ser facilmente transmitidos pelo ar, agua ou alimentos, e facilmente sobem na cadeia alimentar. Nos predadores não migradores é facilmente observado o processo de bioampliação pois possuem elevados valores dos contaminantes (metais pesados).

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Missão: Golfinho-comum


EXIF  f/8  1/2000  ISO-500
403mm  25.7

 
Realizar uma saida de barco para observar e fotografar aves, mas surgirem golfinhos não é novidade. Os animais adoram pregar-nos destas partidas, isto sem contar, que o equipamento para fotografar aves é completamente diferente do utilizado para fotografar cetáceos. Uma ave poisada à superfície da água e relativamente perto do barco ocupa apenas uns 40 centímetros, já um golfinho a nadar juntamente com o barco ocupa entre 2 a 4 metros, usando o equipamento para fotografar aves e apenas fotografo o olho do golfinho, isto se o conseguir encontrar. Por isso, imaginem a frustação de estar equipado para fotografar aves e surgirem golfinhos ou baleias.

EXIF  f/8  1/1000  ISO-500
150mm  11.3m

O maior problema que os cetaceos trazem aos fotografos é a sua vontade de dar "show". Enquanto se deslocam para alimentar raramente dão saltos fora de água, colocam apenas o espiráculo para respirar e pronto. A maioria das fotografias que se obtêm é apenas uma cabeça enorme e uma barbatana dorsal, o olho fica normalmente debaixo de água ou com uma camada enorme de água. As melhores fotografias são tiradas quando eles andam na brincadeira e dão saltos constantemente, mas para isso são precisas muitas horas no "mar" ou muita sorte (como eu não tenho nem uma nem outra). O golfinho-comum, Delphinus delphis, é uma das espécies de cetáceos que prefere não colocar o olho de fora.

EXIF  f/8  1/1250  ISO-500
135mm  7.7m


terça-feira, 23 de outubro de 2012

Missão: Fotografia de Animais Pelágicos


Cagarra (Calonectris diomedea)
EXIF f/8  1/2000  ISO-500
150mm  6.5m

As aves pelágicas vivem a maior parte da sua vida nos oceanos e apenas se deslocam a terra durante a nidificação e devido às variadas ameaças a que elas se encontram sujeitas, é impensável tentar fotografá-las nos ninhos, para além de que só se deslocam às colónias durante a noite. Durante o dia elas vagueiam pelos oceanos à procura de alimento e para as fotografar implica umas viagens de barco.

Golfinho-comum (Delphinus delphis)
EXIF f/7.1  1/800  ISO-500
150mm  5.4m

Existem vários problemas associados a fotografar dentro do barco. O primeiro, e o mais óbvio de todos, é o enjoo. É muito fácil enjoar dentro do barco, ele balança para todos os lados e nós temos de contrabalançar ao mesmo tempo que espreitamos pela ótica da máquina só com um olho, tudo isto confunde o nosso cérebro que não percebe bem onde está. O segundo problema é o balanço do barco, quando damos por nós estamos a fotografar apenas água e de repente lá voltamos a ver o animal que estávamos a fotografar. O terceiro e último problema é a luz, quando estamos em pleno oceano os animais podem surgir de qualquer lado, temos uma fantástica visão de 360º, mas isso dificulta a realização de boas fotografias pois nem sempre os animais surgem de onde devem.

Cagarra (Calonectris diomedea)
EXIF f/8  1/1600  ISO-500
150mm  20.8m

Existem vários tipos de embarcações, as melhores são precisamente as embarcações de pesca (conhecidas por traineiras) pois é possível ter mais estabilidade e os movimentos dentro da embarcação não estão tão limitados. Algumas saídas poderão ser realizadas em embarcações insufláveis que não oferecem tanta estabilização e há um maior risco de salpicos. A troca de objetivas em pleno oceano pode ser arriscado, pois a água do mar corrói os componentes elétricos e por isso é necessário assegurar-nos que levamos as objetivas certas e minimizamos as trocas das mesmas durante a viagem. Para quem gosta de fotografar e de desafios, sugiro que façam uma destas viagens. Para quem gosta de observar aves é uma viagem inesquecível (que vai depender também da altura do ano a que se realiza).

domingo, 21 de outubro de 2012

Artigo: Guarda-rios


EXIF F/8  1/1250  ISO-500
340mm  2.6m

O guarda-rios ou martim-pescador, de nome científico Alcedo atthis, é uma belíssima ave por vezes denominada de clarão azul. Com rápidos batimentos de asas, ele sobrevoa a água de rios rapidamente, a sua coloração azul-esverdeada, na coroa, dorso e asas, e um maravilhoso azul-cobalto, no uropígio e cauda, dão a sensação de que um clarão azul passou por nós.


EXIF F/8 1/1000 ISO-500
340mm  3m

É o único guarda-rios europeu e habita quase toda a Europa, existindo 7 subespécies conhecidas. Possui apenas 16 centímetros de comprimento pesando umas meras 35 gramas. Em Portugal estima-se que existam entre 2.000 a 10.000 pares reprodutores, no entanto, esta espécie é observada a "guardar" quase todos os rios portugueses. É uma ave pequena e com inconfundíveis plumagens de cores vivas mas muito veloz e ativo.

EXIF F/8 1/1000 ISO-500
340mm 2.8m

 
Alimenta-se de pequenos peixes, de invertebrados aquáticos (como as ninfas de libélulas e ocasionalmente os adultos de libélulas), de anfíbios e de crustáceos, embora a maioria do seu alimento sejam pequenos peixes. Para os capturar, mergulha utilizando o seu longo e afiado bico, partindo de um poleiro sobranceiro à água, ou mais raramente, a partir do ar (pairando sobre a água). Consegue mergulhar atrás dos peixes, mas não ultrapassa os 25 centímetros de profundidade, devido à sua flutuabilidade natural e fortes batimentos das asas ele consegue emergir rapidamente da água. É fundamental que os pequenos peixes se desloquem à superfície da água para o guarda-rios os conseguir capturar. Depois de serem capturados, o guarda-rios leva as suas presas para o seu poiso e bate-as repetidamente contra um ramo, antes de as engolir. As partes não digeridas são regurgitadas em forma de esferas.

EXIF F/8 1/1000 ISO-500
500mm  4.9m

 
Cada casal reprodutor ocupa um território de 1 quilómetro ao longo das margens de um rio. Possuem rituais de acasalamento elaborados e que incluem espetaculares voos acrobáticos e a oferta mútua de peixes imediatamente antes da cópula. Os laços entre o casal mantêm-se ao longo da época de reprodução, e ambos os progenitores incubam os ovos e cuidam dos pintos durante 4 semanas, até estes estarem prontos a abandonarem o ninho.

EXIF F/8 1/1000 ISO-500
500mm 2.8m

 
Curiosidade: Nas latitudes mais elevadas, onde os rios congelam durante quase todo o Inverno, o guarda-rios é obrigado a migrar para regiões mais quentes, em Portugal ele é residente (não migra).

EXIF F/8 1/1250 ISO-500
340mm 2.8m


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Missão: Guarda-rios II


 
Há muito tempo que observo este guarda-rios, Alcedo athis, que pesca numa pequena charca, perto de Évora. O ano passado coloquei um tronco para servir de poiso de pesca, e consegui fotografá-lo com um peixe acabado de pescar. Mas há cerca de um mês as ovelhas que pastam naquele terreno deitaram o tronco abaixo, que acabou por se partir e por isso ficou muito mais pequeno. Era agora difícil fotografá-lo ou observá-lo. Este pescador possui cerca de 8 poisos diferentes que consigo observar desde o abrigo, mas nenhum deles é visível das margens. Para o ajudar na dificil tarefa de pescar, achei que deveria colocar mais uns troncos para ele utilizar. Depois de muito procurar, finalmente encontrei um tronco grande o suficiente para ele poisar, aliás grande demais. Para além desse coloquei mais 2 troncos adicionais, para ele poder escolher qual prefere.
No dia seguinte fui para o abrigo procurar algum animal mais raro que por vezes para nas redondezas. Mas sem sorte achei que era altura para voltar para casa, quando este pequenote apareceu para testar os novos poisos. Experimentou-os a todos, e foi saltitando no tronco grande. Saia e regressava uns minutos mais tarde. Espero que agora se habitue e começa a pescar desde alí para poder observá-lo e apreciá-lo.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Missão: Noitibó-de-nuca-vermelha


EXIF  F/8  1/250s  ISO-200
Flash  500mm  3.8m
Herdade Évora

Quem me conhece sabe que detesto perseguir espécies para a minha coleção de fotografias, há espécies que desejo fotografar simplesmente. Sejam elas bonitas, feias ou nojentas. O interesse é o mesmo, e existem sempre algumas ideias que tenho em mente quando finalmente consigo encontrar a dita espécie, quer seja por pura sorte, ou por me ter deslocado a um local onde poderia encontra-la. Gosto de combinar os estudos em biologia, variados artigos científicos e a experiência para determinar vários aspetos e preferências das espécies, de forma a facilitar o processo de a fotografar, manusear (por vezes, mas sabendo o que faço e sem incomodar muito os indivíduos) e eventualmente estudar determinados comportamentos que não veem descritos nos artigos científicos ou livros técnicos da especialidade.

EXIF F/9  1/250s ISO-200
Flash  340mm  4.5m
Herdade Évora

No caso desta espécie, o noitibó-de-nuca-vermelha, Caprimulgus ruficollis, foi totalmente sorte. Já tinha estudado a espécie e sabia que eles gostam de zonas abertas de areia com algumas árvores ou arbustos onde podem capturar insetos em pleno voo, usando a sua grande boca. Já procuro há alguns anos, mas nunca tinha tido a sorte de encontrar um. Um dia, quando a minha mãe chegou a casa disse ter visto uma ave grande e que apenas levantou voo quando o carro estava mesmo em cima dela. Fiquei espantado, os terrenos há volta possuem gado e não arvores e arbustos, pensei que fosse uma ave perdida. Noutro dia, a minha mãe voltou a deparar-se com esta ave e eu nunca tinha a sorte de a observar.

EXIF F/9  1/250s ISO-200
Flash 500mm  5.4m
Herdade Évora

Num dia já de noite, quando estava a caminho de Lisboa lembrei-me de passar por pancas à procura de corujas-do-mato, sendo uma espécie que gostei de fotografar e gostaria de voltar a fotografar, no entanto, a única espécie que fotografei foi precisamente o noitibó-de-nuca-vermelha. Com um pouco de sorte à mistura, foi possível observar e fotografar três indivíduos diferentes. Todos eles permitiram-nos aproximar bastante antes de levantarem voo e voltarem a pousar um pouco mais à frente, e só depois de mais umas fotografias é que fugiram.

EXIF F/8 1/250s ISO-200
Flash 500mm  5.9m
Pancas, RNET

Quando finalmente tinha bastantes fotografias de noitibós-de-nuca-vermelha heis que me voltam a surpreender ao finalmente encontrar um individuo no caminho de terra batida de casa. Mais uma vez ele permitiu-me aproximar bastante e tirar imensas fotografias, no entanto, no dia seguinte já não andava por lá.

sábado, 15 de setembro de 2012

Missão: Morcegos I



EXIF   F/10  1/250s  ISO-200
Flash  500mm  2.2m
Juvenis agarrados às progenitoras.


A procura de morcegos em edifícios abandonados ajuda a identificar abrigos de verão ou de hibernação anteriormente desconhecidos. Estes abrigos ajudam a clarificar quais os habitats e abrigos usados pelos morcegos de determinada região. Isto porque para além do uso de grutas naturais e de minas abandonadas, algumas espécies utilizam também vários edifícios abandonados. As fotografias foram feitas durante os censos para o Atlas dos Morcegos dePortugal, as localizações dos abrigos não podem ser reveladas para evitar a perturbação excessiva dos morcegos, especialmente durante os períodos de maternidade e hibernação, ou a eventual destruição dos mesmos.

EXIF F/11  1/250s ISO-200
Flash 500mm 2.4m
Juvenil agarrados às asas da progenitora.


O morcego-de-ferradura-pequeno, Rhinolophus hipposideros, é um dos morcegos mais pequeno do mundo pesando entre 5 a 9 gramas. É facilmente distinguido de outras espécies devido à boca e nariz em forma de ferradura de cavalo. Possui uma envergadura de asas entre 19,2 cm e os 25,4 cm e o comprimento do corpo entre os 3,5 cm e os 4,5 cm. As patas são fortes e usa-as para se agarrar a rochas ou tronco. Consegue ver muito bem apesar de possuir uns olhos pequenos. Como a maioria dos morcegos, vivem em colonias e caçam as suas presas usando a ecolocalização, emitindo ultrassons através de almofadas redondas especializadas na região da boca.

EXIF F/10 1/250s ISO-200
Flash 500mm 2.2m
Juvenis agarrados às progenitoras.


Quando caçam são rápidos e ágeis, voando usualmente a 5 metros do solo enquanto evitam os ramos e os arbustos. Alimentam-se principalmente de pequenos insetos, sendo a maioria colhidos de pedras e troncos. De entre os seus alimentos, os favoritos são as moscas, traças e aranhas.

EXIF F/9  1/250s ISO-200
Flash 500mm 2.2m
Juvenil à esquerda e adulto à direita. Possivel verificar diferença na coloração.


O acasalamento ocorre no Outono e as fêmeas dão à luz uma cria por ano, normalmente entre Junho e Julho. As crias pesam cerca de 1,8 gramas e abrem os olhos 10 dias depois de nasceram, tornando-se independentes às 6-7 semanas de idade. Hibernam durante o inverno em grutas escuras, minas, edifícios abandonados e por vezes em celeiros.

EXIF F/14  1/250s ISO-200
Flash  100mm  1.2m
Juvenil.


Neste abrigo foi possível encontrar cerca de 9 morcegos-de-ferradura-pequeno, entre estes estavam 3 juvenis já com capacidade para voar. É possível distinguir os juvenis dos adultos pois estes apresentam uma coloração acinzentada e os adultos já possuem a coloração acastanhada.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Missão: Coruja-das-torres I



Tudo apontava para um grande dia a fotografar. De manha fui bem cedo para Pancas antes do início das acções de voluntariado para a SPEA no âmbito do projeto "Linhas Elétricas" e consegui fotografar uma águia-calçada demasiado perto de mim. Passei o dia a caminhar debaixo de linhas elétricas à procura de aves mortas por colisão ou por eletrocussão, debaixo do calor e a ver libélulas e insetos esquisitos por todo o lado. Tivemos a companhia de um simpático e amigável cão que protagonizou uma autêntica cena de um filme ao tentar "saltar" uma vala de um lado ao outro, mas esquecendo-se que já estava demasiado pesado, foi ver uma enorme bola de pelo a saltar, a ficar parado no ar por uns segundos e a desaparecer dentro da vala (de meio metro), surgindo uns segundos mais tarde todo contente a correr na nossa direção. Depois decidiu dar um mergulho e enquanto nadava aproveitava para beber água, claro que quando saia molhava tudo e todos, depois como quem não percebia o que fazia vinha roçar-se nas nossas pernas para se secar mais depressa. Fomos perseguidos por gado bravo (vacas e cavalos com crias) que olhavam para nós e julgavam que tínhamos comida para eles.

 
No final de tudo isto finalmente tive tempo para ir fotografar as corujas-das-torres (Tyto alba) à ponta da erva, como as atividades acabaram cedo tive de ficar algum tempo à espera (4 HORAS!!), mas como aquela região é bastante rica biodiversidade deu para estar entretido a fotografar as águias-sapeiras, os flamingos, e a tentar fotografar os peneireiros-cinzentos que nem se deixavam aproximar. Findo tudo isto, concentrei-me nas corujas-das-torres. Primeiro que tudo verificar o material, pinhas cheias e novas, baterias carregadas, modo manual selecionado e preparado para a fotografia noturna, foco bom e potente a funcionar (julgava eu), foco pequeno e a bateria não oferece luz suficiente e a lanterna de mão para casos de emergência em posição. Algum tempo de espera e chegava finalmente a noite, liguei o foco ao isqueiro do carro e comecei a percorrer os postes à procura de corujas. Encontrei o que julgava ser uma coruja, liguei o foco e booooommmm!! Faíscas a sair do isqueiro e rádio pifou... Desliguei e voltei a ligar e nada. Rádio nada. Começou bem, pensava eu. O que julgava ser a coruja era afinal um peneireiro-cinzento que rapidamente fugiu com aquele aparato todo. Restava-me apenas os faróis do carro, que por azar não conseguem iluminar os postes, ficando a iluminar o chão, mas tinha de ser suficiente. Percorri a estrada e nem um sinal de corujas, nada de nada, ao longe vi que se aproximava um carro e que vinham com um foco, uns segundos depois e vejo um flash, também estavam às corujas. Parei o carro e esperei que parassem de fotografar como qualquer bom fotógrafo faz, para evitar incomodar os animais ou levar a que os mesmos fujam. Quando finalmente passaram por mim levavam os máximos ainda ligados e para chatear apontaram o foco na minha direção (só pensava "obrigadinho" pelos meus olhos...). Segui na direçao oposta para tentar a minha sorte, mas nada.

 
Só meia hora mais tarde encontrei a primeira coruja, apontei o carro na sua direção e puff... Máquina não a queria focar, bolas, só pensava "mais vale ir já para casa..." mas já lá estava há mais de quatro horas, não ia desistir agora. Depois disso, encontrei mais de 20 corujas e consegui fotografar mais de metade, mesmo com o flash a demorar quase meia hora a recarregar (julgamos nós, quando mais precisamos cada segundo parece uma eternidade). Não apanhei nenhuma coruja com um ratinho no bico, mas fui-me concentrando noutro tipo de fotografia, corujas em pleno voo. Como estava lua cheia conseguia vê-las a pairar no ar, só tinha de conseguir focar na escuridão e disparar...Nada feito, tudo desfocado, restava quando as apanhava paradas e saiam a voar, o problema é que sem foco ao levantarem voo saiam do raio de acão dos faróis do carro e as fotografias ficaram todas desfocadas ou sem corujas.
 
Um dos objetivos foi cumprido, restando outras fotografias que gostava de realizar. Resta agora arranjar o foco e tentar mais uma vez.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Salvamento de um pequenino ouriço-cacheiro

Avisaram-me que estava um pequenote de ouriço-cacheiro, Erinaceus europaeus, preso na entrada da herdade nas juntas utilizadas para o gado não sair (aquelas dos cilindros).

EXIF 1/200s, f/8, ISO-200
100mm, 77cm


Quando lá cheguei ele estava a um canto e mal se mexia, estava gelado e com fome. Demorei mais de 30 minutos para o resgatar, o buraco era demasiado fundo para chegar lá com o braço, precisava de arranjar um tronco grande o suficiente para lá chegar e que fizesse uma conchinha com os ramos para ele ficar preso. Ao tocar-lhe pela primeira vez fechou-se como uma bolinha de espinhos, facilitando a sua movimentação, bastava rolá-lo até aos locais. Inicialmente rolei-o para uma zona mais elevada devido à acumulação de terra, mas mesmo assim não o conseguia apanhar. Foi necessário encostá-lo à parede e lentamente ir fazendo-o subir até o conseguir apanhar, foi demoroso mas finalmente apanhei-o. Precisava de voltar para casa com ele em segurança, tinha ido de bicicleta e nas mãos era impossível transportá-lo, por isso decidi colocá-lo na bolsinha que a bicicleta possui. Assim sabia que era impossível que ele caisse e eu me espetar.


EXIF 1/250, f/9, ISO-200
100mm, 51cm

Ao chegar a casa tive de arranjar uma caixa para o colocar, alta o suficiente para ele não fugir e grande para se poder mexer. Coloquei bastantes panos para o manter quente e fiz uma pequena casinha de panos onde se podia abrigar e foi precisamente para onde ele se dirigiu. Mas não era suficiente para se aquecer. Coloquei-o entre o pano e no meu colo para o aquecer mais depressa, até que ficou cheio de calor e começou a abrir-se lentamente. Dava para ver as patinhas e o focinho, e finalmente alguns pêlos e não espinhos. Fiz-lhe algumas festas para se acalmar e ele foi regressando ao seu estado normal enquanto permanecia a dormir. De repente, notei que ele tinha umas pulgas. Fui buscar uma taça cheia de água e comecei a apanhar pulgas, foi aí que percebi a confiança que ele me dava, conseguia tirar até as pulgas que andavam perto dos olhos e do nariz sem que ele se queixasse, escondesse ou mordesse. Tirei 14 pulgas ao todo. Quando despertou voltei a colocá-lo na caixa à qual tinha adicionado vários alimentos, desde frutas, cereais, leite, e feito uma papa com todos estes ingredientes. Enquanto procurava mais alimentos para ele reparei num pacote de batatas fritas com sabor a presunto, pensei para mim mesmo, não custa tentar. Esfarelei um bocado de batatas fritas e ele foi direito a elas comendo-as todas, meti mais batatas até ele se fartar e voltar a adormecer.

EXIF 1/500, f/8, ISO-200
100mm, 75cm

Ao final do dia era altura de o libertar, já estava quentinho e tinha feito uma boa refeição.